Em um evento fechado para a imprensa realizado em São Paulo, a Xiaomi oficializou o seu retorno ao Brasil após 3 anos de sua saída do mercado nacional. Através de uma parceria com o Grupo DL, que possui negócios em vários mercados de eletrônicos, acessórios e serviços, os produtos da gigante chinesa voltarão a ser comercializados no país.

A parceria com a DL não era novidade: em fevereiro deste ano já haviam indícios de que ela já era realidade graças a dados de homologações dos dispositivos da gigante chinesa feitos a pedido da DL. Inicialmente, foram homologados e distribuídos para a comercialização dois dispositivos: o Redmi Note 6 Pro e o POCOPHONE F1, vendidos exclusivamente pela Ricardo Eletro em suas lojas físicas. Com a oficialização da parceria, a DL passa a comercializar outros 5 smartphones, além de acessórios e kits para a plataforma de IoT da Xiaomi, a Mi Home. Além disso, foi confirmado a inauguração da primeira loja oficial da Xiaomi no Brasil e o retorno do seu e-commerce.

7 smartphones no portfólio

Sem economizar, a empresa já tem a homologação de 7 smartphones para o Brasil, e todos eles serão comercializados pela empresa. Os dispositivos são os seguintes:

Redmi Go

O Redmi Go é o modelo mais barato oferecido pela Xiaomi. Sendo um dispositivo de entrada, o mesmo possui configurações modestas, mas suficientes para uso de funções simples, graças ao sistema operacional Android Go, uma versão reduzida do Android que possui aplicativos Google mais leves, baixo consumo de memória e otimizações para consumo de dados.

Equipado com um Snapdragon 425, 1GB de RAM, tela de 1280×720, câmera de 8MP e bateria de 3000mAh, suas configurações são bem semelhantes com o primeiro lançamento da Xiaomi no Brasil, o Redmi 2. Mas as diferenças param por aí, levando em conta a versão atualizada do processador e novas tecnologias embarcadas, incluindo o Android 8.1.

Redmi 7

O Redmi 7 traz especificações um pouco melhores, trazendo algumas novidades extras, como o uso da tela infinita e o novo design em gota para o notch. Com um Snapdragon 632, câmera dupla de 12MP, tela de 6.26″ HD+ e bateria de 4000mAh, é um dos Redmis com maior capacidade de bateria da empresa.

Redmi Note 6 Pro

Lançado em novembro do ano passado, o Redmi Note 6 Pro foi um dos primeiros dispositivos homologados pela DL aqui no Brasil, junto com o POCO F1. Equipado com o Snapdragon 636, tela de 6.26″ Full HD+, bateria de 4000mAh, câmera dupla traseira de 12+5MP e frontal de 20+2MP, foi um dos primeiros dispositivos da Xiaomi a contar com um engine de Inteligência Artificial.

Redmi Note 7

Um dos únicos com o preço revelado durante o evento, o Redmi Note 7 será comercializado por R$1.699 e conta com um Snapdragon 660 AIE, bateria de 4000mAh, tela de 6,3″ Full HD+ Dot-Drop, além da sua câmera dupla de 48MP, destaque do modelo e das peças de marketing da Xiaomi.

Mi 8 Lite

O Mi 8 Lite é a versão econômica do topo de linha Mi 8, lançado no ano passado. Possui uma tela de 6,26″ Full HD+, processador Snapdragon 660 AIE, bateria de 3350mAh com suporte a QuickCharge 3.0, câmera traseira dupla de 12+5MP e frontal de 24MP.

POCOPHONE F1

Primeiro telefone da sub-marca POCO, o POCOPHONE F1 traz especificações robustas em um corpo de policarbonato, sendo considerado um modelo intermediário-premium. Diferente dos outros telefones da marca, o POCO F1 roda uma versão modificada do MIUI, feira especialmente para o modelo. O dispositivo é equipado com um Snapdragon 845 com tecnologia de resfriamento líquido, tela de 6,18″ Full HD+, câmera dupla de 12+5MP e bateria de 4000mAh com suporte a Quick Charge 3.0. Atualmente é comercializado nas lojas Ricardo Eletro com preços a partir de R$2.999.

Mi 9

Último lançamento da Xiaomi e atual carro-chefe da marca, o Mi 9 deu as caras oficialmente no evento, com preço inicial de R$3.999.

O dispositivo conta com um processador Snapdragon 855, tela AMOLED Full HD+ Dot-Drop de 6.39″, sensor de impressões digitais na tela, bateria de 3300mAh com suporte a carregamento sem fios a 27W e Quick Charge 4.0. Além disso, seu conjunto de câmera tripla (48+14+12MP) obteve uma pontuação maior do que o iPhone Xs MAx e Galaxy Note 9 no DxOMark.

A parceria

Por trás do novo projeto da Xiaomi no Brasil está o executivo Luciano Barbosa, que informou no evento que a DL será a responsável por todo o processo de nacionalização dos produtos, desde sua importação até a distribuição aos parceiros e revendedores. Inicialmente, os produtos importados não virão totalmente localizados, com etiquetas e manuais traduzidos. Mas estoques futuros contarão com todos os itens totalmente em português. Ainda segundo ele, não está nos planos da empresa a abertura de uma fábrica para montagem local dos produtos, já que o processo de importação no momento é o mais ágil.

Outro fator importante relacionado à parceria é a relação com o preço dos produtos: a política de margem mínima de lucro será adotada pela DL em todos os produtos comercializados pela marca no Brasil. Mesmo sendo menos convidativos do que o preço de uma importação direta, a DL tem como trunfo de sua operação estarem operando sob a autorização da própria Xiaomi, e, portanto, poderem fornecer garantia integral nos dispositivos comercializados.

Em relação ao pós-venda e sua garantia, a brasileira é categórica: todos os itens adquiridos dos parceiros oficiais (Ricardo Eletro, Pernambucanas, etc), e das lojas oficiais (Mi Store e e-commerce) terão garantia nacional, e o pós-venda será totalmente operado pela DL. Para smartphones, a garantia será de 12 meses. Não foi revelado a duração da garantia para acessórios ou itens da Mi Home. Produtos importados não serão cobertos pela garantia.

Tornando sua vida mais inteligente

Os smartphones já eram esperados quando a parceria DL e Xiaomi foi anunciada, mas a segunda novidade do evento pegou grande parte das pessoas de surpresa: além da venda de smartphones, a DL também trará para o mercado brasileiro os produtos de IoT da Xiaomi, como sensores inteligentes, lâmpadas, luminárias, câmeras de segurança, entre outros.

Inicialmente, a empresa trará o seu conjunto de sensores inteligentes, que incluem uma central de controle para os sensores, um sensor de presença, um botão programável e um sensor de abertura de portas ou janelas que podem ser configurados para realizar inúmeros cenários de automação para tornar o dia-a-dia do usuário mais prático e conveniente. A configuração é realizada pelo app Mi Home, que promete facilidade na operação dos dispositivos conectados.

Mi Smart Home Sensor Set: conjunto consiste do Mi Control Hub, sensor de presença, sensor de abertura de porta/janela e um botão programável.

A DL não informou quais outros produtos serão futuramente comercializados, mas deixou bem claro que a ideia é trazer o máximo possível do ecossistema Mi para o Brasil. Os preços não foram anunciados no evento. A provável data para que saibamos os valores e os produtos será no dia 1 de junho, data que as vendas começarão.

Canais de venda

O principal pedido dos Mi Fãs será finalmente atendido: no dia 1 de junho a primeira Mi Store oficial do Brasil será inaugurada no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Primeira Mi Store do Brasil será inaugurada dia 1 de junho, no Shopping Ibirapuera.

Segundo Barbosa, a loja estará preparada para vender inicialmente todos os smartphones homologados, além da Mi Band 3, o kit de sensores inteligentes e a scooter Xiaomi. Em crescente expansão, as Mi Stores se tornaram um ponto-chave na nova fase de expansão internacional da empresa, que passou por uma grande reformulação em seu modelo de negócios para o mercado ocidental. No Brasil, o modelo inicial de vendas totalmente online não agradou a muitos consumidores, por isso vemos como positiva a ideia de terem partido para o varejo nacional para apelar aos consumidores que querem analisar o produto antes de comprá-lo.

Além da Mi Store, foi também anunciado o retorno do e-commerce da marca, através do site mi.com. A expectativa é de que a página esteja disponível ainda na primeira semana de junho, após a inauguração da loja física.

Os pontos de venda atuais no varejo receberão mais um reforço: além da Ricardo Eletro, os produtos Xiaomi também poderão ser encontrados nas lojas Pernambucanas e na Magazine Luiza, e futuramente poderão ser exploradas outras parcerias com outros pontos de venda.

Um fato curioso sobre a abertura das novas lojas é que a DL continua seguindo apenas como a distribuidora dos produtos Xiaomi: nem a loja online nem a Mi Store serão operados pela empresa. Questionada sobre a operação, a DL informou apenas que os responsáveis por estes canais de venda preferem ser mantidos no anonimato.

O que os fãs dizem

Viajamos junto com alguns administradores e moderadores do grupo Xiaomi Brasil 2.0, um dos maiores grupos sobre Xiaomi no Facebook atualmente. Abaixo, reproduzimos a opinião de alguns destes convidados:

Daniel Laporte

Apesar de diversos problemas técnicos no início da apresentação em SP, a DL mostrou uma estratégia menos conservadora e mais ousada do que a praticada pela Xiaomi quando a mesma fincou os pés pela primeira vez no Brasil.
Ciente de não poder competir diretamente com os valores praticados nos smartphones da marca pelo Mercado Cinza/informal, a DL aposta em alguns trunfos como:

  1. Versão BR dos Smartphones, otimizada para o público brasileiro
  2. Garantia de 12 meses nos produtos comercializados
  3. Criação da primeira Mi Store brasileira, que dará oportunidade e credibilidade para a marca conforme se popularizar entre o público

Além dos dois mencionados acima, creio que uma das principais e mais ousadas armas da nova estratégia seja a venda de grande parte do catálogo do ecossistema Mi, com diversos produtos que não possuem um páreo no Mercado Nacional ou que tinham a importação por PF extremamente dificultada devido a alguns trâmites Legais.

Portanto, a parceira da DL com a Xiaomi parece promissora. Resta saber como ela irá se comportar e se adaptar ao peculiar Mercado brasileiro ao longo dos meses que virão.

Igor Silva

Todos sabiam que os preços seriam mais altos. Todos tinham dimensão que a competitividade com outras formas de compras era improvável… Porém a DL parece ter aprendido com os erros da Xiaomi no passado: trouxe um portifólio maior de itens e investiu em produtos cuja importação é complexa (por exemplo, o patinete elétrico).

O que parecia previsível em um primeiro momento se tornou algo surpreendente e bastante promissor, à medida que a empresa entender como o mercado absorverá seus produtos. O fato é que um novo paradigma foi criado. Muito precisa se descobrir (sobre, por exemplo, por quem a loja online será administrada) e a aposta é ousada, ambiciosa, e corrobora com a surpresa que tive. O tempo dirá se o modelo se sustentará. Um grande primeiro passo foi dado.

Galeria

Confira abaixo alguns registros durante o evento: