Opinião – Xiaomi/DL no Brasil: um longo (e árduo) caminho a se percorrer

0
548

O clima de novidade tomou conta dos fãs da Xiaomi. Após o anúncio que a empresa retornaria oficialmente às terras tupiniquins, feito durante o evento do dia 23 de maio , muito se comemorou (e se questionou) sobre como se daria toda a operação da marca em solo nacional. Passada toda a empolgação da notícia, do lançamento da loja oficial e dos vazamentos nas redes sociais dos possíveis preços dos produtos a serem comercializados pela loja online, uma série de questionamentos e reflexões começaram a surgir sobre de que maneira a Xiaomi/DL deverá conduzir o retorno da marca ao Brasil daqui pra frente. E, pelo que parece, muitos aspectos deverão ser revistos e/ou avaliados.

O primeiro deles diz respeito ao fato da empresa parecer negligenciar todo o know-how já existente com a marca em solo nacional. Como alguns sabem, a Xiaomi tentou se estabelecer no país em 2015, mas suspendeu suas operações um ano depois. Com isso, uma base de fãs foi deixada para trás. Estes, por sua vez, se uniram para criar diversos grupos do facebook dedicados a marca. Numa rápida pesquisa na rede social, por exemplo, é possível encontrar diversas comunidades com temas relacionados a empresa chinesa (o maior deles, o Xiaomi Brasil 2.0, tem cerca de 118 mil membros, por exemplo). Neste processo de retorno é fundamental o engajamento da base de fãs já existentes, como principal “pilar” do processo de fortalecimento e consolidação da marca no país. Um exemplo claro disso foi o fracasso na campanha feita no Facebook e no Instagram, na qual a empresa condicionou o sorteio de três pulseiras inteligentes (Mi Band 3) ao alcance de 10mil seguidores. Sem o apoio dos grupos e comunidades privadas, a campanha publicitária simplesmente ”flopou”, sendo adiada por diversas vezes e por fim, não atingindo a meta e os resultados esperados.

Principal Grupo do Facebook, Xiaomi Brasil 2.0 tem mais de 118 mil membros.

O segundo aspecto diz respeito a quantidade de páginas, sites, perfis e afins que usam, de forma irregular, a marca Xiaomi como forma de promover seus produtos e/ou serviços. Em uma pesquisa rápida do termo ”xiaomi” no instagram, podem ser encontrados diversos perfis não oficiais, que revendem produtos ou prestam serviços em nome da marca. Isso causa uma grande confusão entre os usuários, sobretudo aos mais novos, que começam a conhecer e entender sobre o que é a Xiaomi. Além do Instagram, é possível ver sites com domínios e identidade visual parecidos com os praticados pela marca, a maioria com milhares de reclamações no reclameaqui.

Páginas relacionadas a Xiaomi no Instagram. O maior perfil não oficial tem mais de 35 mil seguidores, e vende aparelhos a valores muito abaixo dos praticados pela Mi Store.

O terceiro aspecto a ser revisto diz respeito a preparação e ajuste das operações, sobretudo no que se diz respeito aos dispositivos da linha smart da empresa. O principal aplicativo que gerencia a ”Casa Inteligente”, denominado Mi Home, ainda não possui tradução para o Português do Brasil. Além disso, ao selecionar as opções regionais do servidor (Brasil), uma série de gadgets da empresa simplesmente deixam de funcionar. Nos testes feitos durante a inauguração da loja, nenhum dispositivo foi encontrado pelo app Mi Home, quando setado para a região Brasil. Observou-se também que muita funcionalidades da MIUI e dos dispositivos da empresa eram desconhecidas pela maior parte das pessoas que atendiam na loja. Em vários casos, o dispositivo nem estava sincronizado com o celular, o que desconstrói o conceito de ”Smart Home”, tão destacado durante a apresentação do Ecossistema Mi. Outro ponto grave a se verificar é a inexistência de manuais traduzidos para idioma local. Ao comprar um dispositivo na loja oficial da marca, você recebe um selo do tipo QR Code, que ao ser escaneado, deveria redirecionar ao manual do produto. Mas, ao clicar no link, se recebe a mensagem de página não encontrada.

Mi Home, aplicativo que controla os dispositivos da linha smart home da Xiaomi ainda em inglês.

Por fim, os preços deverão ser ajustados ao longo do tempo. É sabido que é impossível competir com valores praticados no mercado informal, mas é fato também que a Xiaomi/DL não atingirá o fluxo de vendas esperado caso mantenha sua estratégia de preços. Mesmo com algumas facilidades oferecidas, a discrepância de valores beiram 150% em alguns casos, o que faz com que o tal Custo x Benefício, grande força da marca, seja perdido. A marca, através da DL, deverá buscar alcançar novos consumidores e novos métodos de alcançar os atuais “Mi Fãs”. Nesse sentido, disponibilizar promoções, programas de troca e fidelidade poderiam ser uma alternativa viável, por exemplo.

Aglomeração de pessoas na frente da Mi Store. Uma semana depois da inauguração, as filas ainda permanecem grandes.

A Xiaomi/DL tem um longo caminho a percorrer durante essa nova incursão da marca no país. A multidão de pessoas que fez fila durante a inauguração da Mi Store, no último sábado, mostra que o principal a empresa já tem: uma base de fãs apaixonada e disposta a fazer muito em prol da Xiaomi.